Asma, Alergias e Atividade Física

1 jun 2012 | 1 Comentario | 4.100 visitas
Asma, Alergias e Atividade Física

Nas últimas décadas é crescente a preocupação com os efeitos que a poluição vem trazendo à humanidade. Após três episódios traumáticos – Vale do Mosa, Bélgica, em 1930; Donora, Pensilvânia, em 1948 e em Londres, em 1952 – as autoridades mundiais têm se preocupado com as graves consequências causadas pela poluição atmosférica. Vários estudos foram realizados, demonstrando que a poluição, mesmo dentro das taxas normais vem provocando aumento nas taxas de morbidade e mortalidade, principalmente em crianças e idosos.

Fatores como poluição industrial e o crescente aumento de veículos automotores, que vem se transformando na principal fonte de emissão, são os principais responsáveis pelo aumento nas taxas de mortes e de internações em hospitais devido a doenças cardiovasculares (cardíacas, arteriais, cerebrovasculares), doenças respiratórias, diminuição da prática de atividades físicas e absenteísmo escolar.

Alguns estudos apontam, ainda, para a relação do câncer, mais especificamente câncer de pulmão, com a poluição ambiental, evidenciando diferenças na ocorrência desta patologia entre áreas urbanas e rurais. Porém existe certa dificuldade em se confirmar esta hipótese devido à presença de fatores de risco como o fumo ativo e passivo, além de exposições ocupacionais.

A asma é uma doença comum que afeta o indivíduo de qualquer idade, sendo uma das doenças crônicas mais incidentes na infância causando inúmeros prejuízos a criança, que tem suas atividades restritas pela doença por mais de cem dias por ano, além de um alto índice de utilização dos serviços de saúde.

Estudos recentes sugerem que a asma está se tornando cada vez mais frequente, grave, problemática e que o número de crianças asmáticas dobrou nos últimos 20 anos. Hoje é considerada a principal causa de falta à escola e ao trabalho. Várias possibilidades têm sido aventadas para explicar esse aumento, entre elas a poluição do ar e o aumento de elementos alergênicos na atmosfera, em particular o ácaro, que encontrou um ambiente propício para sua proliferação.

As alergias são respostas imunológicas que podem ocorrer devido a características e susceptibilidade individuais e como resultado de exposição a estímulos físicos.

Para pessoas menos acostumadas com temas relacionados a atividades físicas pode parecer estranho afirmar que o exercício faz parte de um programa de atendimento ao alérgico, principalmente ao se levar em consideração que o exercício pode também provocar manifestações alérgicas. As atividades físicas, particularmente aquelas realizadas em ambientes externos e com maiores probabilidades de exposição e contato com inúmeros desencadeantes, são estímulos suficientes para provocar e agravar essa condição. A maioria dessas respostas é mediada por numerosas substâncias vaso-ativas, que estão envolvidas na patogênese e resultam em sintomas como urticária e/ou angioedema, podendo ambas as manifestações coexistir na mesma pessoa.

Nas crises de asma o estreitamento das vias aéreas, de pequeno e grande calibre provoca alterações na relação ventilação/perfusão, devido à ventilação não uniforme. A hipoxemia que ocorre devido a esse fato aumenta o estímulo respiratório, que é uma tentativa de aumentar a ventilação, e isso envolve maior gasto energético.

A principal ocorrência da crise de asma é a obstrução generalizada das vias aéreas, sendo que quatro eventos contribuem para essa obstrução:

a) broncoespasmo (aumento do tônus da musculatura lisa do brônquio);
b) hipersecreção (receptores estimulados aumentam a secreção de muco para a luz dos brônquios);
c) edema da mucosa respiratória (mediadores inflamatórios aumentam a permeabilidade vascular);
d) inflamação (mastócitos liberam fatores quimiotáticos que atraem o infiltrado inflamatório celular com eosinófilos e neutrófilos).

Como consequência, ocorrem também a descamação epitelial (ruptura e subsequente eliminação do epitélio respiratório) e o espessamento da membrana basal (multiplicação das células epiteliais para repor a membrana que resulta em espessamento).

Por ser uma doença de evolução crônica, que muitas vezes melhora na adolescência, mas isto nem sempre ocorre, a pessoa pode continuar a ter sintomas até a idade adulta ou durante a vida toda. De qualquer forma, a asma se adequadamente tratada não impede que o indivíduo pratique atividades físicas. A pessoa asmática deve estar sob tratamento médico, pois a atividade física não é tratamento de asma.

O aparecimento de sintomas (tosse chiado e/ou falta de ar, sensação aperto no peito) leva o asmático a evitar as atividades físicas com receio de que possa ter uma crise de asma ou então interromper suas atividades quando do aparecimento dos sintomas. Estas situações acabam por criar um círculo vicioso de hipoatividade física e deteriorização do condicionamento físico geral.

As atividades físicas são benéficas e têm sido recomendadas, mas podem ser provocadoras de broncoespasmo induzido pelo exercício (BIE). As pesquisas indicam que os exercícios físicos são provocadores de BIE em 80% a 90% dos asmáticos e em 40% dos atópicos (não asmáticos). Outros estudos apontam a ocorrência de BIE em atletas sendo a prevalência de 10% a 14%.

Os sintomas como tosse, dispneia, aperto torácico e chiado após exercícios, são característicos. Geralmente professores de educação física e técnicos esportivos confundem esses sintomas com baixa condição física. A resposta do asmático diante o exercício é diferente do não asmático. Há de se compreender que nem todas as atividades físicas provocam esse tipo de reação. Diferentes exercícios em diferentes intensidades provocam diferentes magnitudes de crises. Os exercícios podem ser classificados em mais asmagênicos (mais provocadores de crises) como a corrida e menos asmagênicos como a natação por exemplo.

Portanto, é muito comum encontrar professores, técnicos, instrutores relacionando os sintomas de tosse, dispneia (falta de ar) e chiado a uma má condição física do aluno e com isso continuam insistindo com o treinamento que na verdade não irá mudar este quadro. O ideal é que se faça um teste de 6-8 minutos de corrida com intensidade superior a 80% da FCmáx com o aluno realizando um teste de espirometria, antes e após o teste, em um aparelho medidor de pico de fluxo expiratório (PEAK FLOW).

Nós, da Assessoria Esportiva EsporteX, temos este cuidado e dispomos de aparelho para realizar o teste, além de equipe altamente qualificada, visando definir a real condição física do aluno para que o mesmo possa ter sucesso em alcançar seu objetivo de tempo ou distância na corrida ou apenas uma melhor qualidade de vida e forma física.

Um abraço a todos, espero ter contribuído com este artigo e aguardamos uma visita de vocês a nossa Assessoria Esportiva.

Referências:
Atividade física adaptada e saúde: da teoria à prática / Luzimar Teixeira – São Paulo: Phorte, 2008

Geraldo Geraldo Fidelis Pereira Lopes

Licenciatura Plena pela Escola de Educação Física e Desportos - UFRJ - CREF nº 025701-RJ. Pós-Graduação em Ciências da Performance Humana - UFRJ. Pós-Graduação em Atividade Física Adaptada e Saúde - UGF

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    Uma resposta para “Asma, Alergias e Atividade Física”

    1. André L. Maia disse:

      Grande prof. Geraldo,

      Parabéns pelos artigos. São todos bem embasados cientificamente e bem explicativos.

      Att,

      André ExporteX e HM4

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